Clima seco aumenta risco de queimadas

31/08/2017

De janeiro a agosto deste ano, foram registrados 45 casos de incêndios florestais em Viçosa

O longo período marcado pela estiagem, com pouca ou nenhuma chuva, aumenta consideravelmente o perigo das queimadas e incêndios florestais. Dados do 5º distrito de Meteorologia de Belo Horizonte, mostram que a última chuva relevante registrada em Viçosa ocorreu no mês de maio.

A diretora de Meio Ambiente do Instituto de Planejamento e Meio Ambiente do Município (IPLAM), Iolanda Gonçalves, salienta que entre os fatores que propiciam as queimadas estão as condições climáticas e a vegetação seca. “Dentro dessas condições, qualquer faísca de bituca de cigarro ou fogo em terreno baldio pode vir a se transformar em um incêndio incontrolável”, frisa.

De acordo com levantamento do 3º pelotão do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, com sede em Viçosa, de janeiro a agosto deste ano foram registrados 45 casos de incêndios florestais. O comandante do pelotão, 2º tenente Alexandre Lima Fagundes, faz um alerta.”Como estamos em um período mais seco, esse número tende a aumentar e, por esse motivo, é importante conscientizar a população para que possamos evitar o aumento de ocorrências”.

O comandante informa ainda que a prática incorreta de limpeza de pastos e preparação da terra para o cultivo pode ocasionar um dano maior. ” Pedimos para que as pessoas não façam queimadas, pois elas podem perder o controle e ocasionar grandes prejuízos para a biodiversidade. Outra preocupação também é com a fumaça, pois a inalação de gases tóxicos causa danos à saúde. Caso a queimada seja de fato necessária, a pessoa deve procurar o Instituto Estadual de Florestas (IEF) para providenciar a autorização. E ao avistar um foco de queimada pedimos que ligue para os Bombeiros no número 193 o mais rápido possível,” recomenda o tenente Alexandre Lima.

Penalidades

Segundo o comandante da Polícia de Meio Ambiente de Viçosa, sargento Abranches, provocar incêndios em mata ou floresta é crime ambiental de acordo com o artigo 41 da Lei Federal Nº 9.605/98. A pena prevista para tal crime é de dois a quatro anos de reclusão, multa, além de sançao administrativa conforme o artigo 86 do Decreto estadual 44844/08, com valor de autuação entre R$717,64 a R$ 8.073,78 por hectare queimado, de acordo com a tipologia vegetal da área, além do infrator ser preso em caso de flagrante. O telefone para denúncias é o 3899 2668.

O sargento Abranches ressalta que a Polícia Militar de Meio Ambiente realiza constantes patrulhas preventivas em toda a região, com visitas às propriedades rurais, palestras com distribuição de cartilhas com dicas e orientações para evitar acidentes com queimadas sem controle e incêndios florestais. “Muitas vezes o principal causador de incêndios florestais são os cidadãos infratores que às vezes, sem motivo algum, iniciam um ponto de fogo em propriedades alheias, causando assim prejuízos incalculáveis”, comenta o sargento.

Saúde

Além de expor a vegetação ao perigo, as queimadas pioram a qualidade do ar, que já está ruim por conta do clima seco, causando danos à saúde como problemas respiratórios e irritação nos olhos. O índice de umidade relativa do ar ideal, preconizado pela Organização Mundial de Saúde ( OMS), é de 60% e qualquer índice abaixo disso é prejudicial para a saúde. É o que explica o médico pneumologista, Sérgio Luis do Carmo, que constata o aumento no índice de casos de doenças respiratórias durante esse período, ocasionadas pelo clima seco. ” É considerável o número de pacientes que reclama dos efeitos do tempo seco, o ideal é tomar muito líquido e utilizar se possível, umidificadores”.